Rondônia e Pará lideram ranking de assassinatos por conflitos agrários, aponta relatório
27/04/2026
(Foto: Reprodução) Mato Grosso foi o estado com mais casos de conflito por terra em 2020 no ranking dos estados do Centro-Oeste. O dado foi divulgado pela Comissão Pastoral da Terra no Mato Grosso (CPT-MT) nesta terça-feira (27). De acordo com a entidade, a 35ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil 2020 reúne informações sobre os conflitos e violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro, bem como indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais do campo. O Centro de Documentação da CPT Dom Tomás Balduino (CEDOC) documentou e sistematizou 1.608 “Ocorrências de Conflitos por Terra” em 2020 no Brasil, o maior número registrado desde 1985, quando o relatório começou a ser publicado. Esse número também é 25% superior a 2019, e 57,6% a 2018. Esses conflitos envolveram 171.968 famílias. As “Ocorrências de Conflito por Terra” referem-se a casos de pistolagem, expulsão, despejo, ameaça de expulsão, ameaça de despejo, invasão, destruição de roças, casas, bens. O Mato Grosso lidera, entre os estados do Centro-Oeste e ocupa a 3ª posição no país, no quesito Conflitos por Terra. De acordo com a CPT, em 2020 aconteceram 169 ocorrências de conflitos por terra, um aumento de 96% em relação ao ano de 2019, quando foram registrados 86 casos. A Pastoral também registrou o total de 13.029 famílias envolvidas neste tipo de conflito. Houve uma diminuição nas ações de expulsão, despejos judiciais, ameaças e tentativas de despejos comparados ao ano de 2019, entretanto a CPT observa que essas ações foram mais violentas, reflexo disso é o número de destruição de casas, que chegou a 324, um aumento de 101%. O número de roças destruídas chegou a 419, aumento de 498%; a destruição de bens chegou ao número de 1.151, acréscimo de 2%, e, por fim, o número de invasões de territórios saltou de 2.288, em 2019, para 6.916, uma alta de 202%. Em Mato Grosso, a Pastoral da Terra também computou 719 ações de pistolagem contra os povos do campo; os casos de grilagens de terras públicas foram de 869, um aumento de 13% em relação a 2019; o número de famílias ameaçadas por despejos judiciais foi de 1.184; e as famílias que sofreram ameaças de expulsão de seus territórios foi de 1.238; e o total de despejos judiciais no estado foi de 474. Conflito por água Outro tipo de conflito que teve grande aumento no Mato Grosso em 2020 foram os pela água, que também deixaram o estado em primeiro lugar no Centro-Oeste. O número passou de 04, em 2019, para 22 no ano passado, o que impactou 3.091 famílias. Em 2019, o quantitativo de famílias envolvidas havia sido de 311. Com isso, verifica-se um crescimento de 893% entre esses dois anos. Esses dados também colocam o Mato Grosso em primeiro lugar no Centro-Oeste. Em todo o Brasil foram registrados 350 conflitos por água com 56.292 famílias envolvidas.
Agência Brasil
Os estados de Rondônia e Pará lideram o número de assassinatos por conflitos agrários no país em 2025: ambos com 7 mortes, cada. Os dados são do relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgado nesta segunda-feira (27).
Um dos casos citados pelo relatório é um massacre que ocorreu em junho de 2025 em Vilhena (RO). Na ocasião, o assessor de vereador Álex Oliveira, 44 anos, sua esposa Luciana Cristiano de Souza, 36 anos, e o caseiro Josenir Vieira de Oliveira foram encontrados mortos.
No relatório, a CPT classifica Josenir como posseiro e as outras duas vítimas como aliados. Ainda assim, Rondônia segue sendo um dos estados que mais mata trabalhadores sem terras.
Os dados da série histórica, entre 2016 a 2025, mostram que os estados do Pará e Rondônia concentram 79,84% dos assassinados de pessoas sem terra no período.
Aumento dos assassinatos
Em comparação com o ano anterior, os assassinatos por conflitos no campo dobraram no Brasil: de 13 para 16 ocorrências. A Região Norte do país concentra pouco mais de 61% dos casos.
Quando o recorte é por estado, os dados apontam que em Rondônia houve um aumento de 600% nas mortes em relação a 2024. Esse foi o maior aumento entre os estados da federação.
Casos sem solução
Mortes ligadas a conflitos agrários em RO segue sem solução após mais de 10 anos
Mortes de lideranças, trabalhadores rurais e outras pessoas que denunciavam grilagem de terras e exploração ilegal de madeira em Rondônia continuam sem resposta, mesmo após mais de 10 anos dos crimes. Os casos são investigados pela Polícia Federal (PF).
Entre os assassinatos levados à esfera federal estão os de Renato Nathan Gonçalves, Gilson Gonçalves, Élcio Machado, Dinhana Nink, Gilberto Tiago Brandão, Isaque Dias Ferreira, Edilene Mateus Porto e Daniel Roberto Stivanin.