Obra da COP 30 em Belém, Rua da Marinha é entregue 5 meses depois da conferência e com histórico de polêmicas ambientais
19/03/2026
(Foto: Reprodução) Obras da COP 30 somam mais de R$ 7 bi em Belém
A rua da Marinha, um dos projetos de infraestrutura previstos no cronograma da Conferência das Partes (COP 30), foi entregue nesta quinta-feira (19), em Belém.
Apesar de fazer parte dos investimentos para o evento mundial, a entrega ocorre cerca de cinco meses após a realização da conferência na capital paraense, que ocorreu em novembro de 2025. O investimento total foi de R$ 253 milhões, em parceria entre o Governo do Pará e o BNDES.
A obra passa no entorno do Parque Ecológico Municipal “Gunnar Vingren”, próximo à rotatória da via, e foi autorizada pela Justiça a partir das licenças ambientais - veja o ANTES e DEPOIS do projeto com a readequação:
Como era o projeto da Rua da Marinha e como ficou após a adequação.
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A via tem quase 3,4 km de extensão e promete beneficiar diretamente mais de 200 mil pessoas, conectando as avenidas Augusto Montenegro e Centenário no bairro da Marambaia. Apenas parte dela estava com o tráfego liberado até então.
Com duas pistas de mão dupla, cada uma com três faixas, canteiro central que recebeu o plantio de cerca de 260 árvores, playground, academia ao ar livre, ciclofaixa, novas redes de drenagem e calçadas acessíveis, a via busca reduzir os congestionamentos na região, com capacidade para absorver um volume superior a 20 mil veículos por dia.
Histórico de controvérsias e embates judiciais
Trecho de rotatória que será liberado nesta quinta-feira (19) para tráfego.
Divulgação
Mesmo com a proposta de melhoria à mobilidade urbana, o projeto da nova rua da Marinha teve polêmicas ao longo da execução, incluindo as de cunho ambiental.
Em novembro de 2024, a Justiça chegou a determinar a paralisação da duplicação da via. A decisão atendeu a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Pará (MPPA), que questionava a ausência de licença ambiental emitida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).
A Semma, inclusive, já havia negado o licenciamento anteriormente, alegando que o empreendimento invadia os limites do parque ambiental municipal Gunnar Vingren. Segundo o órgão municipal, a obra causaria supressão vegetal, retirada de animais silvestres e atingiria a flora, a fauna e olhos d’água da região.
O Governo do Pará, responsável pela obra e que havia obtido licenças da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), argumentou que a atribuição para o licenciamento seria estadual, mas a Justiça considerou a Semma como o órgão competente para a emissão das licenças.
Outro ponto de atrito ocorreu ainda em maio de 2024, quando o governo revogou uma licitação inicial para um dos trechos do projeto, após críticas públicas de que a obra passaria dentro do parque ambiental.
A estrutura conta com passagens subterrâneas de fauna.
Juliana Alvarez / TV Liberal
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