MPF abre investigação contra estudantes de direito filmados agredindo homem em situação de rua com arma de choque em Belém
14/04/2026
(Foto: Reprodução) MPF abre investigação contra estudantes de Direito filmados agredindo morador de rua, em Belém
O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação sobre o caso de agressões com arma de choque contra um homem em situação de rua em Belém na segunda-feira (13). Dois estudantes de direito de uma faculdade particular são suspeitos de envolvimento.
Procurador Regional dos Direitos do Cidadão no Pará, Sadi Machado disse que a situação "é grave e demonstra uma série de violências: racismo, capacitismo (que trata a pessoa na rua com deficiência mental); e aporofobia, que é a própria discriminação contra a pessoa em situação de rua".
"É preciso dar um basta na violência contra população em situação de rua, que precisa de acolhimento, abrigo, assistência, moradora e cuidados. É neste sentido que vamos trabalhar e cobrar do Poder Público", afirmou.
Os dois jovens suspeitos das agressões contra o homem em situação de rua compareceram à delegacia de Polícia Civil no bairro de São Brás, em Belém, nesta terça-feira (14). Eles foram liberados após ficarem em silêncio no depoimento.
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De acordo com as investigações, os suspeitos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como a pessoa que usa a arma de choque, e Antônio Coelho, que teria registrado a ação.
O g1 entrou em contato com a defesa deles, mas ainda não obteve retorno até a última atualização da reportagem. Na delegacia, o advogado de Altemar disse que vai aguardar a perícia dos vídeos e a conclusão do inquérito policial.
Segundo uma moradora da região, as agressões contra a mesma vítima eram constantes e vieram à tona após uma confusão em frente à faculdade particular na segunda-feira (13). No entanto, não há confirmação de quem cometeu as agressões antes.
Altemar Sarmento Filho e Antonio Coelho, são suspeitos de ataque a homem em situação de rua em Belém.
Redes Sociais
Antônio Coelho foi o primeiro a prestar depoimento. A defesa afirmou que "não tinha conhecimento da suposta participação dele no caso" e "que tomou ciência dos fatos apenas por meio da imprensa".
Já Altemar Sarmento Filho foi ouvido no fim da manhã. Ele chegou à delegacia acompanhado de advogados e com o rosto coberto por um paletó. Segundo a defesa, ele deve se reservar ao direito de permanecer em silêncio durante o depoimento à polícia. Ele foi liberado poucos minutos depois.
O advogado afirmou ainda que a equipe jurídica vai aguardar a perícia dos vídeos e a conclusão do inquérito policial. Ele também declarou que a arma de eletrochoque utilizada não seria letal, pois estaria danificada.
Em nota, a PC informou que um boletim de ocorrência foi registrado na Seccional de São Brás e um inquérito foi instaurado para investigar o caso. Já o dispositivo de choque foi apreendido e será periciado.
Jovens envolvidos nas agressões a morador de rua se apresentam na delegacia em Belém
Entenda o caso
Na manhã de segunda-feira (13), entregadores de aplicativo se revoltaram com o caso de um homem em situação de rua atacado com uma arma de choque em frente a uma universidade particular, na avenida Alcindo Cacela, em Belém.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram duas ocasiões em que um estudante se aproxima da vítima, que caminhava de costas, e aplica descargas elétricas em pelo menos duas ocasiões - Veja no vídeo abaixo.
Estudantes de direito atacam homem em situação de rua com arma de choque em Belém
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Nas imagens, é possível ver os dois alunos participando da ação e rindo durante a agressão. O caso gerou revolta nas redes sociais e provocou reações do MPF e de deputada estadual na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), cobrando providências.
De acordo com a instituição de ensino, os dois suspeitos, estudantes do curso de Direito, foram afastados após o caso.
Os entregadores de aplicativo que presenciaram a agressão e tentaram alcançar os suspeitos, mas os dois correram para dentro do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa). Houve confusão e a Polícia Militar foi acionada.
A Polícia Civil informou que o caso segue em investigação para apurar as circunstâncias das agressões e se há envolvimento dos suspeitos em outros episódios semelhantes.
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