Em Santarém, projeto apresenta dados de pesquisa que poderão ser usados na revisão do Acordo de Pesca do Tapajós
15/05/2026
(Foto: Reprodução) Pesquisas foram realizadas nas comunidades contempladas no Acordo de Pesca do Tapajós
TNC Brasil
O Projeto Águas do Tapajós realizou um evento na quinta-feira (14) em Santarém, oeste do Pará, para expor dados obtidos em uma pesquisa realizada em comunidades do Baixo Amazonas. Esses dados revelam a realidade do setor pesqueiro e poderão ser utilizados na revisão do Acordo de Pesca do Tapajós.
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Os dados foram obtidos no período entre agosto de 2024 e maio de 2025. Participaram das pesquisas lideranças comunitárias, organizações da sociedade civil e com órgãos governamentais.
A pesquisa foi realizada em comunidades da Flona Tapajós e da Resex Tapajós-Arapiuns pela The Nature Conservancy (TNC) em parceria com instituições parceiras e órgãos ambientais da região como o Movimento dos Pescadores do Baixo Amazonas (Mopebam), Colônia de Pescadores Z-20, Sociedade para Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Instituto de Conservação Ambiental (ICMBio) além do apoio das Semas de Santarém e do Estado.
Evento aconteceu na Colonia Z-20 em Santarém
Dominique Cavaleiro/g1
O que foi avaliado nas pesquisas?
De acordo com a professora da Universidade Federal do Pará (Ufpa), Bianca Bentes, vários aspectos foram observados nas pesquisas, como: consumo das espécies na região, desembarque pesqueiro e espécies de peixes mais encontradas na região.
Algumas espécies já dão sinais de sobrepesca na região, por isso a importância de avançar no acordo de pesca ouvindo todas as esferas interessadas e promovendo o protagonismo dos pescadores na construção dessas ações.
“Há necessidade de se pensar em um trabalho de manejo que tenha a atuação das instituições que regulam isso juntamente, claro, sempre com protagonismo dos pescadores”, contou a professora.
O que os dados revelaram?
Ainda segundo a pesquisadora Bianca Bentes, além das espécies com sinais de sobrepesca, os dados revelaram a importância de trazer os pescadores para as discussões relacionadas ao manejo sustentável das espécies.
“O segundo principal achado, eu diria, que teria que trazer esses pescadores para essas discussões, trazer a realidade deles para se pensar no manejo. O manejo não pode ser pensado de uma forma unilateral, ele tem que ser pensado com aqueles que vivem a realidade”, disse Bianca Bentes.
A pesquisadora revelou que entre as espécies com sinais de sobrepesca é o próprio tambaqui, mas esses dados podem sofrer variações por conta do processo hidrológico da Amazônia.
“O tambaqui é uma espécie que traz um certo alerta pra gente assim como algumas pescadas”, contou Bianca.
Coordenador do Movimento dos Pescadores do Baixo Amazonas (Mopebam), Manoel Pinheiro contou que para a classe dos pescadores, uma das preocupações é o estoque pesqueiro. Ele destaca que o Mapará é uma das espécies com maior índice de pesca na região, por conta do valor comercial desse tipo de peixe.
“O mapará aqui na região do Tapajós é um peixe cobiçado. O mapará é o carro chefe no estoque peixeiro, nossos pescadores correm muito atrás desse peixe e essa é uma das preocupações em relação ao estoque pesqueiro pela facilidade de exportação, esse peixe é o mais vendido para frigoríficos e grandes empresas”, contou Manoel.
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Revisão do Acordo de Pesca
O principal acordo de pesca válido no Rio Tapajós é o Acordo de Pesca Tapajós-Arapiuns, originalmente homologado pela Portaria SEMAS nº 2.816/2022 e prorrogado consecutivamente, sendo a medida mais recente formalizada pela Portaria SEMAS nº 5.083/2025.
De acordo com o Governo do Estado, este acordo engloba 100 comunidades tradicionais ribeirinhas na área de influência do rio Tapajós, estando dentro dos limites da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e da Floresta Nacional (Flona) Tapajós.
Com a apresentação dos dados das pesquisa e sugestões dadas pelos pescadores, há a possibilidade de haver uma revisão neste acordo.
O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Rodolpho Zahluth também esteve na programação e falou sobre a importância de ouvir de perto as demandas dos pescadores, não só para a possibilidade de revisão do acordo de pesca, mas sim para promover de fato o protagonismo desses trabalhadores.
“Essa política tem um diferencial bem interessante porque a norma é construída normalmente pelo estado para os cidadãos cumprirem a norma. No acordo de pesca essa norma é construída pela comunidade, onde se há um dialogo compartilhado entre as comunidades que definem aquela regra, para aquele território e o Estado apenas valida. Então é um diferencial fantástico, onde o setor pesqueiro é protagonista nesta construção”, contou o Secretário.
Pesquisas foram realizadas nas comunidades contempladas no Acordo de Pesca do Tapajós
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